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Coluna de LEQUINHO TORRES

  • O Axé e o Trio Elétrico

    Publicada em: Dezembro - 2018

    Por: LEQUINHO TORRES

    O Axé e o Trio Elétrico

    O axé tem quase que um casamento vitalício com o Trio Elétrico. Foi assim que tudo começou, foi com essa irreverência que o Brasil se apaixonou pelo ritmo. Ir atrás de um trio elétrico com a massa sonora pulsando o seu coração a mil não tem preço e quando eu falo massa sonora, não me refiro apenas aos grandes trios, falo também da “Fobica de Dodô e Osmar” e dos mini trios. O que importa é o coração estar pulsando a mil na alegria de brincar carnavais pelo Brasil, seja o famoso carnaval ou então os tão esperados carnavais “fora de época”. Hoje vemos que muitos eventos pelo Brasil deixaram um pouco o trio de lado e passaram a fazer festas apenas em palcos. Acho que devido a alguns fatores. Com o “boom” do Axé em 1990/2000, os artistas começaram a cobrar cachês astronômicos, os donos de trio começaram a cobrar preços surreais, os donos de espaços para eventos subiram o preço de uma forma descontrolada, os órgãos públicos começaram a cobrar taxas e fazer exigências nunca antes vistas! Com isso tudo a planilha de um evento começava a passar de R$ 1 Milhão. Isso mesmo, não se impressione R$ 1 Milhão de reais para fazer um evento. A produção do evento dependia muito de patrocinadores e também de ingressos e bebidas caras para poder bancar todo aquele risco e ainda ter o lucro do evento, aliás, ninguém trabalha de graça.

    Depois de alguns prejuízos muitos produtores deixaram de fazer eventos com trio, pois a estrutura exigida se tornava muito cara, principalmente nas capitais. Ou seja, o que começou como uma festa democrática, onde uma Fobica desfilava pelas ruas de Salvador puxando uma multidão e você podia levar o seu isopor de cerveja para pular o carnaval com alegria, sem ter que se apertar financeiramente, passou para um evento onde a planilha ultrapassava R$ 1 Milhão em despesas.

    Essa ganância generalizada fez praticamente acabar com um dos braços mais fortes do Axé, o Trio Elétrico. Você conta nos dedos os eventos durante o ano que ainda usam o Trio Elétrico como o seu principal palco de alegria. Espero que com o tempo novas soluções e ideias apareçam, assim como Durval trouxe para o mercado a “Trivela do Asa”, mini trio que cabia em eventos com estrutura reduzida. E assim como o “Alavontê”, mais recentemente, veio com a ideia do “Pranchão”.

    Eu sinto que o Axé tem essa coisa mais intimista, você cortando e preparando o seu abadá no dia anterior da festa, você colado do lado do trio e rodando o evento abraçado e zoando com amigos. A cada segundo uma nova paquera. Espera um pouco para ir no banheiro, a fila tá grande? Beleza! Aguarde um pouco enquanto o amigo vai ao bar comprar cerveja na promoção “Compre 2 e leve 3”. Depois vamos cantar todas as músicas que aprendemos comprando CDs promocionais, procurando músicas na internet, recebendo músicas dos amigos por e-mail! Não precisa tocar Axé na rádio não! A gente faz o Axé acontecer. Quando o evento acabar, a gente ainda vai ficar lá fora tomando uma cerveja e dando as últimas

    azaradas. Depois vamos pegar um táxi pra ir embora, mas antes de chegar em casa, precisamos dar uma paradinha para comer, pois é lá que vamos contar todas as aventuras que aconteceram naquela tarde inesquecível, que jamais vai sair de nossas memórias!

    Isso não faz parte de uma época vivida por muitos! Isso faz parte do Axé! É isso que tornava tudo tão mágico e fazia com que o Axé se diferenciasse de outros ritmos e festas! Viva O Axé!   

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